sexta-feira, 11 de junho de 2010

Das reescrituras

Seguem poemas que já foram publicados no Rumor da Casa, aqui em novas versões. Pequenas, pequeníssimas alterações às vezes são grandes conquistas.

Geralmente, o menos é mais. E não só na poesia. Cortes e ajustes em textos não somente deixam -nos mais redondos e a contento do poeta e do leitor, mas também são uma oportunidade de praticar as sutilezas técnicas que depois de um tempo podem até se transformar em vício ou mania.

Sou rabugenta com meus textos. Publico pouco. E o que publiquei, tenho ganas de republicar. Aliás, tenho um poema sobre isso, do Desconjunto, reescrito também. Gravei em mp3 um conjunto de textos desse meu primeiro livro e alimento o sonho de reeditá-lo em áudio e papel, mais completo e mais maduro.

Disse o Quintana, em uma entrevista: "Porque poesia é insatisfação, um desejo de autosuperação. Um poeta satisfeito não satisfaz".

Até aí, entendo. A insatisfação é o alimento desse desabrochar poético. Agora, meu querido Quintana, bom velhinho, ela tem um limite, não tem? Precisava eu ficar tão triste só porque é Dia dos Namorados?

Ele me responde baixinho, com o indicador estendido: "Psst, Telma, psssst. Não grite aos ventos nossas improvidências." :-)





Senhor ladrão, fique à vontade.

Veja a porta, destravada.
Veja essa carta na mesa.

Senhor ladrão, fique à vontade.

Temos bons discos de jazz.
Já o computador, pifou.

Veja os copos para lavar,
as calcinhas no varal.

Senhor ladrão, fique à vontade.

Há um tantão de pele nua
debaixo do cobertor.

Senhor ladrão, fique à vontade
se quiser vir de novo amanhã.