
Os tempos do Erico Verissimo já se foram há tempos e o que ficou é um amontoado de teias de aranha e nenhuma Teia de Poesia pra contrabalancear (puxei a brasa para o meu assado, rá!). (Eu mesma tou cansada de ter que me autopropagandear e vide meu post do Contra, abaixo.)
O fato é que as atividades de fomento à leitura de poesia aqui são o que são: quase nada. A Feira do Livro virou o que vocês sabem: esse ano foi cortada pela metade. A Biblioteca Pública está numa reforma cujo prazo já passa dos limites há um par de anos. Enquanto isso, o acervo fica mal acomodado na Casa de Cultura, cujas salas são ocupadas de enjambre ou alugada a preços altíssimos. A Casa de Cultura está mais privada que pública. Onde estão as oficinas? O projeto de Descentralização da Cultura não paga aos seus oficineiros as horas de reunião e preparação de aula. O IEL, e eu mesma fui publicada pela Coleção 2000, virou um esqueleto. Os festivais de literatura que acontecem na cidade (são só dois) dizem não conseguir fianciamento para pagar os próprios escritores da programação. Livrarias entram na jogada e usurpam o trabalho do autor. Todos ganham com a irreverente e simpática personalidade dos poetas, menos os poetas. O maior evento de literatura que está acontecendo este mês na cidade adota o futebol como fórmula e apela para a Copa para conclamar atenção (para que alguém se interesse por qualquer coisa literária em Porto Alegre hoje, há que ter idéias assim).
E é claro que ressoa o Gullar, em cânone, no meu ouvido: "Onde foi andar a poesia?", "Onde foi andar a poesia?", "Onde foi andar a poesia?".
Respiro. Tento dar um stop nessa canção. Não vou à esquina comprar jornal. Se fosse, talvez não voltasse. Conto até 2011.