sábado, 1 de janeiro de 2011

Da série “Performances Executadas” − Obrigada


Visto um pijama azul e branco, masculino e folgado. Meus cabelos estão soltos e embaraçados. Uma algema liga meu pé esquerdo uma corrente, algemada na outra ponta a um banco da Praça da Alfândega, nas proximidades das estátuas de Drummond e Quintana. Miro-os obstinadamente. Estou com uma caneca metálica em uma das mãos e, na outra, uma garrafa vazia da cachaça mineira Boazinha. Dou alguns gritos sonoros, dialogando com as estátuas, salvo nas palavras "muito obrigada", as quais lanço aos passantes. Cuspo no chão, limpo o nariz no braço esquerdo e digo:

É o Drummond quem tá dizendo! Muito obrigada. Eu tenho o Qorpo-Santo! Muito obrigada. Hoje não tem bailanta? Muito obrigada. Ô Qorpo-Santo, José Joaquim de Campos Leão! É um rebanho! Muito obrigada. É o Quintana quem tá dizendo! Muito obrigada. Falaram pra eu ficar quieta! Muito obrigada. Hoje não tem bailanta? O Qorpo-Santo morava ali, olha. Muito obrigada. No Quintana's bar! Muito obrigada. O Drummond, e agora José! José Joaquim de Campos Leão ão ão ão! Muito obrigada. Ficava bem ali, ó, na frente, olha. Muito obrigada. Hoje não tem bailanta? Incendiou tudo, Carlos, queimou tudo, e agora José? Toda a biblioteca de Alexandria. Queimou tudo! Muito obrigada. Hoje não tem bailanta? Ô Quintana, é Qopo Santo, com Q! Eu tenho o Qorpo-Santo! Muito obrigada. Ô José Joaquim de Campos Leão! Muito obrigada. Hoje não tem bailanta? É um rebanho! Muito obrigada. É um rebanho! Muito obrigada. Drummond, ô, dança! Muito obrigada. Ô Quintana, Ô Qorpo Santo, eu tenho o Qorpo Santo! E a mente, sã! Eu sou a vaca profana! Muito obrigada. Por que vocês não vão pra bailanta? Muito obrigada. É o Drummond quem tá dizendo! Muito obrigada.