domingo, 15 de maio de 2011

Performance, lucidez e risco

Assistam nos links abaixo o episódio de detenção de um artista nas ruas de São Paulo:



A performance do artista detido não poderia ser mais acertada. Contexto e referências são ricas e bem articuladas. Ele refez, de corpo presente, a famosa foto de Marc Riboud, de 1967, onde uma jovem americana, durante os protestos contra a Guerra do Vietnã, parece colocar uma flor no cano da arma dos soldados:

(http://festival.magnumphotos.com/60_years_1967.php). 
 
Imagem que é reciclada na abertura da novela Amor & Revolução, diariamente exibida no SBT. Imagem que ganha a forma de um corpo gentilmente erigido sobre orelhões da Telefonica (patrimônio "público", senhor policial?). Ele não estava cometendo nenhum crime, bem como estava eu, no dia 12 de novembro, quando tive uma performance interrompida na Praça da Alfândega, de onde saí contra minha vontade, escoltada por dez policiais. Seja no Sul, seja no Sudeste, o Brasil não é um país onde artistas possam se expressar nas ruas.
 
Em vista disso, tenho pensado que a Idade Média inda era mais avançada, nesse sentido. Jograis e trovadores, além de exibirem seus dotes nas ruas, para acréscimo da imaginação de todos, recebiam a paga de quem os ouvia, quando não eram convidados ao paço.