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quarta-feira, 31 de agosto de 2016
sábado, 27 de agosto de 2016
direção e edição de Danielle Sibonis
poema do livro Rumor da casa (7Letras, 2008)
filmado no Castelinho do Alto da Bronze (Porto Alegre) em 2010
você soa como brisa, vulcão ou ventania?
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desvelo um vulcão vazio
amarelo
breve como o tempo de voltar
para ver a página limpa
- e um vulcão se espalhou com o movimento
da mão sobre o nada que é sempre
mais que branco.
um vulcão preenchido
pelo vento espesso que preenche
o nada da mão.
velo o tempo todo, como quem não
existe, pois o que há é só
um vulcão vazio, o quase que
espesso
se abisma
nos vincos da ventania
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
tudo parado na tarde solar.
céu prenúncio.
braços de árvore balançam,
a nuca do pássaro fugitivo
se esconde entre manchas.
céu nenhum.
o avião parasita os espaços de quase.
é de guerra. é de sopro. é avulso.
o avião agulha.
uma queixa muda a do menino
quando olha através.
vira a página do livro.
não querer voar nesse céu
é dom.
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Caso palavra com palavra
e não consigo escrever.
Vou à praia e
o mar é só o mar, areia.
Sinto um tédio de as coisas serem coisas
e não durmo
rasgo palavras
Sinto imenso na manhã com café preto
Caso palavra com palavra
arranco cabelos
Meu doido sumir se atravessa
digo e rasgo
digo e rasgo
digo e rasgo
muitos filhos
terça-feira, 2 de agosto de 2016
da linha do tempo de agora, de dois de agosto de 2016 às 15h.
apropriação e manipulação de imagens.
mais na página: https://www.facebook.com/dalinhadotempo
Por que escondem isso de você?
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em 24h.
Só 21 minutos por dia.
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21 minutos por dia e sequei minha barriga.
Parábola sobre como as circunstâncias mudam as
pessoas.
Agosto 2016
Julho 2016
Junho 2016
Maio 2016
Abril 2016
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10 truques para reviver suas coisas velhas.
Fevereiro 2016
Janeiro 2016
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segunda-feira, 11 de julho de 2016
Formação de onças habita o quarto.
Digo rápido me esqueci um detalhe de rotina.
Não há tempos entre nós dois.
Somos um pouco de nada, assim jogado na areia
esperando que os dias mornem.
Mornar: parar o tempo em uma formiga.
Ser memorando. Aquilo que se diz depressa. Pura informação.
Tampar: tentar com pouco tino dizer o memorável.
Tempar: tampar com água morna todos os cadáveres.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Hoje tive alguns pendores
com aquela Ana Cristina.
Ana Cristina era persona.
Eu, personne.
Ela, cansada de ser homem
tirou luvas de pelica, delicadas
e foi chorar no banheiro.
Isso eu faria, não fosse porca.
Em Lajeado, uma porca matou homem.
Ela dava a luz quando acudiu o agricultor.
No culto da criação, ele era demais.
Ela devorou muito da sua carne.
Sobre o porquinho, ninguém falou.
Talvez por isso eu seja pouca
devorando cartas, maus poemas
e cassetes bossa-nova.
Quando me amansarem,
serei Pessoa nenhuma.
*poema do livro Rumor da casa (7Letras,2008)
domingo, 26 de junho de 2016
Para silêncio de cordas e nãos é
preciso ter o cuidado de não se mover. Se mexer esse braço, já estronda o órgão
suspenso desse quase céu. O tempo. Aqui é azul e por isso são abismos os
espaços do som. Para a dor de encontrar, não há remédio. O não é proferido sob
o sol a pino e então que tudo abunda. São tambores, fagotes, zabumbas,
trombones e trompas de falópio. São os sossegos que não regeneram. Para cima e
para baixo, há vida. Mas o sol se move. E a vida esquecida entre sons já então
se cronometra. Um leve mexer de mechas é o suficiente para sonatas inteiras,
intragáveis, a encher o espaço aberto. O corpo. Tão perto do calendário, o
peito, que só um cristão aguentaria. Ainda há jogos de paciências, há dedos, e
ciências na geladeira. Para ficar um pouco em paz, come-se o não com vinho.
Idealizam-se iguarias. Para a dor de encontrar, entretanto, não há remédio. Por
isso se samba até sem perna, sem braço, sem cílios que se abrem em abraços, sem
tédio, para a sina do silêncio de cordas e nãos.
poema publicado no jornal Qorpus, Pós-Graduação em Estudos da Tradução da UFSC, nº20.
domingo, 12 de junho de 2016
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Não necessito, não quero, não posso mais tirar palavras da minha mão para contaminar o mundo. Ao redor, há xícaras, lápis, bicicletas, quadros nunca concluídos, livros abertos e cochichos. Alguns sussurros ainda empilhados por debaixo da cola branca. Há poeira, duas toalhas e um pouco de café. O trânsito fica longe, e ainda assim há redes: de dormir, de sonhar e de falar, perigosas.
As coisas mudas me agradam, como a presença nesse quarto de um cobertor. Estar ao alcance da mão é fazer parte de um mundo com tabelas de verdade, quando ainda não havia suficientes sistemas de segurança. Clareza é livre como acordar de manhãzinha e ver o mundo fluindo em direção a mais um sábado. É medieval e não pede desculpas.
Agora é impossível voltar atrás. Até as folhas das árvores visitadas pelos passarinhos parecem sofrer no excesso do que ouço desde a tela que sofreu os apuros da falácia. Doença irreversível de precisar preencher instantes. Palavras falam, nunca se aquietam, alongam-se sobre tapetes, bebem rum, acordam os vizinhos de madrugada quando não cabem em camas, ou em câmeras de 140 caracteres. Cobertor se molda aos calores de um corpo inexistente.
Saber que há portas, imunidade de tropas, um xamã enterrado, esquemas institucionais e críticas ao pós-estruturalismo é tão frio como engolir limão. A hora errada se assusta fácil. E a mão toca barbas distraidamente. Barbas encantadas, azuis, caminhantes como as falas que contaminam o mundo. Aquelas que nunca se pintaram nas cores da baba antropofágica, e por isso pousam sobre o espaço sem a dignidade de xícaras, lápis, bicicletas, livros abertos e cochilos.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
As lágrimas vermelhas molharam
o chão do Mercado Público.
As lágrimas eram vermelhas e
ofuscavam meus próprios olhos, de onde elas vertiam, desconsoladas, para
diversão dos aflitos.
Por onde eu passava, sofria a
multidão. O povo, se não me saudava de canto de olho, pelo menos me dava
um passo atrás.
Eram lágrimas de tinta, eram furta-cor, eram lágrimas amarelas que saíam de minhas lágrimas
vermelhas e jorravam até o mar.
Eu fiquei parada no segundo
andar do Mercado Público, vertendo-as sobre o vestido.
De branco ficou vermelho, e
disto foi se mudando em tantas múltiplas cores que todos os pássaros revoaram
desde mim.
E assim, cega vendo o céu, sem no mínimo querer, dei
alegria aos que me viram, porque finalmente eu era uma pintura. A esta altura.
Eles cantaram, eu não cantei.
Nós suportamos um pouco melhor a vida & suas dores destruídas. Ficamos
bobos, ao lado, no lodo das cores, na curva lilás.
Eu sei que houve um momento,
antes.
Era branco.
Por onde andava, ficava rastro
de coisas que eu não via.
*poema de Depois da água, 2014, revisto/restaurado.
terça-feira, 17 de maio de 2016
assim cimento por cima abaixo andarilhos por entre cinemas do cotidiano por entre olhos expedicionários a legendária busca de nadas por dentro de objetos assim por entre enciclopédias de canto mais ou menos desprezível e por enquanto nada diremos da vida pulsa & geme os quarteirões animados as quadras de futebol e boladas de roubos por entre a multidão de anões estupefactos em seus peitos aguados não mais que estes olhos camuflados em disfarce de nada dizer e de fingir que não que não se sabe nada do que se passa entre risadinhas dentro dos cérebros entupidos de notícias e à salvo da estupefação gerada por alimentos como filmes comprados no balaio da promoção oh não vejo my heart oh my mind is so oh
my dirt sim infeliz como rajadas de vento assim free como o tempo das rugas de tantos rouges a mais e sim por assim dizer é sua a espera do momento certo
sábado, 14 de maio de 2016
ts, sem título, 2016
ts, sem título, 2016
dois trabalhos produzidos no scanner como testes para minha série final de gravura/pintura do trabalho de conclusão do curso de artes visuais. serigrafias saindo do forno, sobre monotipias, colagens, desenhos, xilogravuras. acúmulo e desintegração da palavra, imagem poética (cf Octavio Paz) na forma não de palavra, mas de imagem. "entre o vento e o peso da página", um projeto de pesquisa, vem sendo soprado em várias materialidades, tomando corpo. quando diziam que há vida após o doutorado, eu confesso que duvidava :-)
um "poema diário"
18 de abril de 2016
Hoje paramos a avenida Madre Benvenuta.
Fizemos milhares de vídeos, palavras, desordem.
Renascemos a mãe dos bem viados bem-vindos.
Semeamos amanhãs
com gotas de nosso cuspe,
com saias e muito suor de palma contra palma.
Fomos palco
para o espetáculo de nós mesmos.
Nós tantos assim
estamos vivos, somos mulher
país
púrpura e
lance lancinante contra a servidão armada
de ternos e gravatas.
Sim, contra o ar enviesado dos furtos do calendário
só nos resta o sumo salpicado
de ais de és de uis
e dos urros de todos os guris.
18 de abril de 2016
Hoje paramos a avenida Madre Benvenuta.
Fizemos milhares de vídeos, palavras, desordem.
Renascemos a mãe dos bem viados bem-vindos.
Semeamos amanhãs
com gotas de nosso cuspe,
com saias e muito suor de palma contra palma.
Fomos palco
para o espetáculo de nós mesmos.
Nós tantos assim
estamos vivos, somos mulher
país
púrpura e
lance lancinante contra a servidão armada
de ternos e gravatas.
Sim, contra o ar enviesado dos furtos do calendário
só nos resta o sumo salpicado
de ais de és de uis
e dos urros de todos os guris.
domingo, 8 de maio de 2016
monge
amuado
molhado
de lodo
no vento no tráfico
no vento no tráfico
no
esgoto
monge
morto
vestido
de marrom
maroto
destemido de manhãs
absorto
onde
a sorte é solerte
e
onde a onça faz o frete
e
suga
sim,
nessa mesa torta
nessa
tumba poderosa
onde
o monge livra
os
livros do cinza
e
do sépia dessas trevas
onde
ele mora mundo
e
onde viaja e vaga
e
vislumbra o vício
de
recomeçar
e
por isso se o monge
destroçar
caroços
e
apontar oceanos pelos
baixos
e sonsos
pedaços
de corda
dessa
forca
é
porque a força que forja as armas
amarra
e solta
poema publicado na edição 20 do jornal Qorpus
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