sábado, 16 de abril de 2016


"A conspiração", TS, 2013, 21x29cm,  pastel aquarelável, colagem e nanquim sobre xerox


Antes eu era simples
e até sabia escrever.
Era menina em sol ardente.

Ver o grande Ser e seus entes
não era minha tarefa.
Eu − eu era simples − podia tê-los
porque tinha olhos lúcidos
as mãos suavam
e o vento batia o batente
sacudia ainda os cabelos.

Agora
perdi um jeito de estar
distraída.

No que sou é impossível
decifrar composições.
Nem tenho fácil, brisa fumaça:
− só a música.
Ouço
dentro do ar fechado
entre paredes brancas
quase desiguais.

E nunca aprendi a cantar.


*poema do Desconjunto revisado.