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sábado, 31 de maio de 2014
porque a partir dos parquets se vai longe. cada sulco, areia. porque poeira é fenda. segredo gosta de cinza, restos de comida, e patas de baratas, caixas há séculos fechadas e manuscritos que também não cabem, tão cabais os momentos de não se encontrar com ser vivente. e é por isso que a partir dos parquets se percorrem parques nunca imaginados. porque debaixo dos sapatos vive um mapa complicado de aspirações a outros mundos. porque quem imprime a poeira do tempo é deus. e ele está sempre distraído atrás dos passos tropicados, das prostitutas, de quem se possa proteger só com palavras. elas caem, um dia. porque os parquets não moram fora. para varandas, há cimentos, táboas, pisos frios e frisos onde molha a chuva.
terça-feira, 27 de maio de 2014
Depois da Água
Este é o teaser do Depois da Água, feito em parceria com os artistas Guilherme Doze e Luize Zanette. É o primeiro de um conjunto de três vídeos que nasceram dessa parceria através do prêmio Elisabete Anderle da FCC acompanhando o nascimento do livro Depois da Água. Em breve postarei aqui o segundo da série, um videopoema com pouco mais de 2min.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
desaprendi a estar sentada como a gente aprende a comer doces sob o vento sul. porque a cintura às vezes não cabe, desencaixa debaixo de ombros. e porque as janelas tremem sob a pressão das árvores que se tomam, diabólicas, de movimentos interjeições e coberturas. esse enquadramento simples, caixilho com vidraça, aconchego de avelãs, caldas e muito quentes esses chocolates. tudo porque o tempo vira. e debaixo de telhas a vida é mais pequena. tudo porque, de repente, a brisa desencaixa, e há ombros, pernas, braços, abraços, pequenos movimentos de pés e de sobrancelhas. o dia dança, desde de manhã, sem sobrosso.
domingo, 18 de maio de 2014
garras na garganta
agonizando
figura geométrica ou quase
quantificação dos cílios
perícia dos instantes
peripécia bárbara
bigorna do tempo relógio
lógica difusa entre dentes
demônio da situação
nas demoras consagradas
do cotidiano
garras na garganta
porque o tempo é grave
é de não dizer
é desfazer as grades
e as simetrias
é de engolir espadas
e águas frias
é de engodo padrão, é de
porquês no lodo
é um tempo lambisgóico
são gotas de momento
que não sussurram
garras na garganta
de molhos agridoces
de salsas e de palmas
que sempre reverberam
no vácuo
são garras escorregadias
que ninguém vê
que ninguém sopra
que sobram de bolhas
de sabão
são brisas altruístas rótulos
tipos de mercado e
parafusos são fusos
horários que não encaixam
na garganta
são granadas enganadas
e são nadas que pesam
como livros de coucher
como lindos avisos
e louças de casamento
são momentos idos,
são tios do instante e sobrinhos
são sobras e sucos
de pontas de canetas
alfinetes na garganta
gargalos de garrafas
e coisas congeladas
como preços no passado
como tempos abraçados e
montes de momentos
pétreos e féretros
que engolem
engolem
engolem
sábado, 10 de maio de 2014
sábado, 3 de maio de 2014
nem sempre é fácil gerenciar a coleção de nuvens. elas às vezes escapam de dentro das gavetas, das frestas dos diários, da caixa com bilhetinhos e ingressos de museu. um dia, uma nuvem azul me pediu desculpas. fugida, eu a reencontrara no corredor da faculdade. ela fazia as costas perfeitamente. outras vezes, um fiapo de nuvem torceu o pescoço dentro do banheiro. outras vezes, ela se alinhou, um suspiro para cada costela, a nuvem ereta geralmente esconde alguma coisa. uma curva dentro do corpo pode explodir: vira mapa. vira estrada. cruza pontes que não são de ferro. e também acontece de alguma nuvem em estado de emergência pousar na tela, em dias especiais.
isso tudo, escrever dias depois da imagem, algo assim de passagem para não sobressobrar, nem soçobrar este blog, lembrou-em este poema simplinho do Desconjunto:
musa pós-moderna
num soneto de Camões
lendas techno
em saudades Gonçalves Dias
um antigo sonho casamenteiro
arde na internet
desintegram-se formas do Quattrocento
integro-me às sobras para ser. é assim, não bem assim.
ele fez o atlas e depois enlouqueceu
a sobrevida das sobrevivências: séculos empilhados no fundo rosa da colagem. aliás não fundo: só pastiche de mim camadas de vermelho bem diluído sobre o branco o branco o branco o branco impossível de desfazer.
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